Ações de chips caem pela 8ª sessão seguida e mercado questiona gastos com IA
Papéis de semicondutores acumulam oito quedas seguidas, a pior sequência em 16 anos. Investidores passaram a olhar com mais cautela para gastos em inteligência artificial, juros e inflação.
Foto: Reprodução/BeInCrypto Brasil· Imagem reproduzida de BeInCrypto Brasil
As ações de empresas de chips fecharam em baixa pela oitava sessão consecutiva, a sequência negativa mais longa em 16 anos, segundo o Barchart. O movimento pressionou o ETF iShares Semiconductor, conhecido pela sigla SOXX, que encerrou quinta-feira em US$ 514,71, quase 14% abaixo da máxima de outubro.
Apesar da queda, o pregão teve um sinal de reação. O fundo chegou a cair temporariamente abaixo de US$ 496, mas recuperou parte das perdas e terminou acima da abertura, em um dia de maior volume de negociação em meses. O SOXX reúne cerca de 30 fabricantes de chips listados nos Estados Unidos e é um dos principais termômetros do setor.
Pressão veio de IA, juros e Ásia
Entre os motivos para a venda estão dúvidas sobre a força dos investimentos em inteligência artificial. Segundo o texto, a OpenAI teria informado investidores de que seu faturamento anualizado ficou perto de US$ 50 bilhões, abaixo da projeção anterior de US$ 70 bilhões. O CEO da Broadcom, Hock Tan, também criticou o excesso de otimismo de alguns participantes do mercado de IA.
O cenário macro agravou a aversão ao risco. A inflação ao consumidor subiu 3,7% em setembro na comparação anual, acima do esperado, e o mercado passou a atribuir 92% de probabilidade a mais uma alta de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano. Ao mesmo tempo, a fraqueza se espalhou a partir do mercado sul-coreano, enquanto o avanço da chinesa ChangXin Memory Technologies elevou o receio de perda de distância tecnológica da China.
Níveis técnicos e leitura do mercado
No gráfico diário, o SOXX segue abaixo da média móvel de 50 dias, indicador usado para medir a tendência de preço no curto prazo. O índice de força relativa, ou RSI, caiu para 36, menor nível desde julho, o que mostra perda de impulso. Se a pressão continuar, a região de US$ 481 aparece como próximo suporte relevante.
Mesmo com a correção, alguns analistas veem o movimento como ajuste de expectativas e não como ruptura da tese ligada à inteligência artificial. O UBS descreveu a queda como uma recalibração, enquanto o JPMorgan apontou a chance de um ponto de inflexão. Ainda assim, o setor segue sensível ao custo do crédito e à percepção sobre o ritmo dos investimentos em tecnologia.
Conteúdo informativo. Não é recomendação de investimento.
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