Analistas divergem sobre Bitcoin voltar a US$ 100 mil até o fim do ano
Bitwise vê o Bitcoin acima de US$ 100 mil até o fim do ano, mas outros analistas dizem que inflação e juros altos ainda podem limitar a alta.
Foto: Pixabay via CoinDeskFoto: Pixabay via CoinDesk· Imagem reproduzida de CoinDesk
O Bitcoin é negociado perto de US$ 81,5 mil, mas o mercado segue dividido sobre a chance de a criptomoeda retomar a marca de US$ 100 mil até o fim do ano. Para a gestora Bitwise, a combinação de adoção institucional e busca por ativos escassos pode sustentar uma recuperação mais forte nos próximos meses.
Ryan Rasmussen, chefe de pesquisa da Bitwise, afirmou ao CoinDesk que a empresa acredita em um fechamento de ano mais alto para o Bitcoin, possivelmente acima de US$ 100 mil. Na visão dele, compras via fundos de índice, os ETFs, aquisições corporativas, a procura por proteção contra inflação e a busca por regras mais claras para o setor formam os principais vetores de apoio.
Inflação e juros seguem no centro da disputa
Do outro lado, parte do mercado vê um cenário mais contido. Adam Morgan McCarthy, da LO:TECH, trabalha com uma faixa de US$ 85 mil a US$ 95 mil até o fim do ano e diz que o ambiente macroeconômico segue pressionando o ativo, com a política monetária do Federal Reserve ainda pesando sobre o apetite por risco. Segundo ele, uma volta acima de US$ 100 mil dependeria de um alívio nas expectativas de alta de juros, além de inflação mais comportada.
A leitura ganha força após dados de inflação divulgados em 14 de outubro, que mostraram alta de 0,6% nos preços ao consumidor no mês e avanço de 0,3% no núcleo, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia. A gasolina respondeu por mais da metade da alta geral, o que reforçou a incerteza sobre os próximos passos do banco central americano.
Fluxos institucionais ajudam, mas não eliminam a cautela
Outros analistas também enxergam sinais mistos. James Butterfill, da CoinShares, disse que a pressão inflacionária convive com enfraquecimento do mercado de trabalho, enquanto Luca Invernizzi, da Laser Digital, afirmou que o Bitcoin continua sendo negociado como ativo sensível ao cenário macro, guiado por juros e pelos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Ainda assim, a limpeza das posições alavancadas e a melhora do setor cripto em geral dão alguma sustentação ao mercado.
Um relatório do Citi citou avanço na capitalização total do mercado cripto, que passou de cerca de US$ 2,1 trilhões para quase US$ 3 trilhões no terceiro trimestre. O banco também apontou melhora nos fluxos de ETFs, nas stablecoins e na infraestrutura de ativos digitais. Para os analistas mais otimistas, esses fatores podem ajudar o Bitcoin a se reprecificar mais adiante, mesmo que o fim de ano ainda siga cercado de volatilidade.
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