Citrini vê boom da tokenização, mas aponta dúvida sobre quem captura o valor
A Citrini Research afirma que a tokenização pode levar ativos tradicionais para as blockchains, mas a disputa central passa a ser quem fica com as receitas. Analistas citam infraestrutura, distribuição e redes como possíveis vencedores.
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Durante anos, defensores das criptomoedas sustentaram que ações, títulos, crédito e outros ativos acabariam migrando para as blockchains. Agora, a Citrini Research, firma conhecida por acompanhar tecnologia, inteligência artificial e tendências de mercado, adotou essa tese em um relatório de 79 páginas sobre tokenização. O ponto central, porém, não é mais se isso vai acontecer, e sim quem vai lucrar com o processo.
A ideia de tokenização é transformar ativos do mercado tradicional em versões digitais que possam circular em redes blockchain. Na prática, isso pode permitir que papéis sejam usados como garantia, emprestados ou integrados a novos produtos financeiros sem que cada plataforma precise reconstruir tudo do zero. A aposta é que ativos como títulos do Tesouro dos EUA, crédito, ações e fundos comecem a operar nesses trilhos digitais.
O valor pode estar na infraestrutura
Para a Citrini, o movimento não significa apenas negociar um ativo em horário estendido, como comprar Nvidia de madrugada. O argumento mais relevante é que esses instrumentos podem passar a se comportar mais como software, circulando entre aplicativos e serviços financeiros com mais facilidade. Isso abre espaço para ganhos em emissão, negociação, uso como colateral e demanda por stablecoins, que são moedas digitais pareadas a ativos como o dólar.
Arthur Hayes, cofundador da BitMEX e diretor de investimentos da Maelstrom, resumiu a dúvida com mais ceticismo. Ele disse que registrar em outro lugar um título que já existe em base de dados digital não cria, por si só, muito valor. Segundo ele, a questão é descobrir onde a monetização realmente acontece dentro da tokenização.
Entre os nomes citados como potenciais beneficiários estão empresas de infraestrutura e distribuição, além de protocolos cripto. Christian Magoon, da Amplify ETFs, comparou esses provedores a “pedágios” em estradas digitais. Já Jeff Dorman, da Arca, afirmou que o processo de tokenização tende a virar uma commodity com o tempo, e que o valor mais duradouro deve aparecer depois que o ativo já está onchain, ou seja, registrado e circulando na blockchain.
Zach Pandl, da Grayscale, disse que uma forma mais direta de se posicionar nesse tema é olhar para as redes que hospedam esses ativos e processam transações. Ele citou Ethereum, BNB Chain e Solana como líderes atuais, além de Avalanche e Canton em abordagens mais voltadas ao uso institucional. Hayes ainda foi além e sugeriu que agentes de inteligência artificial podem acabar operando serviços financeiros inteiros, o que exigiria dinheiro e ativos programáveis disponíveis 24 horas por dia.
Conteúdo informativo. Não é recomendação de investimento.
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