Google diz ter reduzido um dos maiores gargalos da computação quântica
A empresa afirma ter levado para um chip uma técnica antes restrita à teoria e a simulações, com queda de 40 vezes nos erros em seu processador Willow. O avanço também reacende o debate sobre impactos futuros na criptografia usada em bancos e Bitcoin.
Foto: Google. Source: Decrypt/ShutterstockFoto: Google. Source: Decrypt/Shutterstock· Imagem reproduzida de Decrypt
O Google afirmou ter superado um dos principais entraves da computação quântica ao aplicar, em hardware, uma técnica chamada magic state cultivation. Em um artigo publicado na revista Science, a equipe Quantum AI disse que o método reduziu os erros em cerca de 40 vezes no processador Willow. A novidade é relevante porque leva para um chip algo que antes era visto sobretudo em teoria e simulações.
Computadores quânticos usam qubits, ou bits quânticos, que podem representar 0 e 1 ao mesmo tempo em certas condições. Essa característica abre espaço para cálculos paralelos, mas também torna o sistema muito sensível a calor e ruído elétrico, o que faz a correção de erros ser uma das maiores prioridades do setor. O desafio não é só fazer o cálculo funcionar, mas manter a informação íntegra durante o processo.
O que mudou no experimento
Segundo o Google, a técnica de cultivo de estados mágicos funciona como um filtro: ela injeta um estado inicial imperfeito em uma pequena área do chip, aplica verificações sucessivas e descarta as tentativas com falhas detectadas. A empresa disse que apenas cerca de 8% das tentativas passaram por todas as checagens, mas o resultado foi um estado com fidelidade lógica de 99,99%. A companhia afirma que o processo pode ser mais eficiente do que a distilação tradicional, que exige grandes estruturas dedicadas só a essa etapa.
A relevância vai além da engenharia. O próprio Google destacou que reduzir o custo da computação quântica acelera o momento em que esses sistemas podem ser usados em tarefas práticas, como o desenho de remédios e novos materiais. Ao mesmo tempo, também aproxima o cenário em que máquinas quânticas poderiam ameaçar sistemas de criptografia usados em logins bancários e carteiras de Bitcoin, embora o experimento atual esteja muito longe desse patamar.
Ainda distante de quebrar criptografia
A empresa ressaltou que não há risco imediato. No teste, foram usados no máximo 54 dos 105 qubits do Willow, e o próprio artigo diz que quebrar uma chave RSA-2048 exigiria estados mágicos muito mais precisos, com erros de cerca de uma em 10 bilhões, algo muito além do resultado atual. O Google também afirmou que o próximo passo é ampliar a técnica, com a expectativa de que menos ruído no hardware reduza ainda mais os erros do processo.
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