Mais brasileiros investem em cripto, mas falta entender o que estão comprando
A fatia de investidores com cripto no Brasil subiu para 11%, segundo a Anbima, mas o conhecimento sobre o produto ainda não acompanha a popularização. Stablecoins aparecem como o principal ativo declarado nas operações no país.
Foto: Reprodução/LivecoinsFoto: Reprodução/Livecoins· Imagem reproduzida de Livecoins
A presença de brasileiros em criptoativos cresceu, mas a compreensão sobre esse tipo de aplicação segue limitada. A edição mais recente do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima, mostra que a parcela de investidores com cripto subiu de 7% em 2021 para 11%. Ao mesmo tempo, só 26% dizem ter o gerente ou assessor como principal fonte de orientação.
Na prática, muita gente decide sozinha, com base sobretudo em vídeos e redes sociais. Segundo o levantamento, 9% já recorrem a assistentes de inteligência artificial para buscar informação sobre investimentos. O dado reforça um cenário em que o acesso ao produto é simples, mas a leitura sobre riscos, funcionamento e diferenças entre ativos nem sempre acompanha a rapidez da compra.
Stablecoins lideram o volume declarado
Parte dessa confusão aparece quando o assunto é o tipo de ativo comprado. Dados da Receita Federal indicam que, desde 2019, 71,7% do volume declarado de compra e venda de criptoativos no país foi em stablecoins, tokens atrelados ao dólar e pensados para manter o valor estável. Na prática, esse ativo costuma ser usado como uma forma de conta em dólar para pagar e receber fora do país.
O contraste com o bitcoin ajuda a explicar o problema. Embora ambos usem a mesma infraestrutura, eles atendem a objetivos diferentes. Enquanto o bitcoin é um ativo digital com foco em reserva de valor e negociação, a stablecoin funciona mais como meio de transferência e proteção cambial, e quem não distingue uma da outra pode tomar decisões sem entender o produto que está comprando.
Educação e regulação entram na discussão
O debate sobre regulação ganhou mais peso com esse avanço. Regras podem exigir separação entre recursos de clientes e caixa da empresa, além de comprovação de reservas, mas não substituem o entendimento do investidor. Algumas plataformas já aplicam testes de perfil de risco, que alertam sobre a inadequação do produto, embora não impeçam a compra.
A própria indústria tenta reagir. Em 2024, a entidade responsável pela qualificação dos assessores de investimento criou uma certificação específica em criptoativos. Ainda assim, a mensagem central do levantamento é que a popularização dos ativos digitais veio antes da educação financeira correspondente, deixando uma lacuna entre comprar e compreender o que foi comprado.
Conteúdo informativo. Não é recomendação de investimento.
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