Tesouro dos EUA sanciona rede ligada a lavagem de criptomoedas para a Coreia do Norte
O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou 10 pessoas e uma empresa por ajudar a Coreia do Norte a receber salários de trabalhadores fictícios no exterior. O órgão também apontou uso de criptomoedas para lavar recursos e publicou endereços de carteiras ligados ao caso.
Foto: Reprodução/Bitcoin MagazineFoto: Reprodução/Bitcoin Magazine· Imagem reproduzida de Bitcoin Magazine
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na terça-feira sanções contra 10 pessoas e uma empresa acusadas de participar de um esquema que permitia à Coreia do Norte receber salários de trabalhadores colocados em empresas estrangeiras com identidades falsas. Segundo o governo americano, muitos desses empregos estavam em companhias dos Estados Unidos. O caso envolve documentos forjados, perfis inventados e uso de tecnologia para sustentar a fraude.
De acordo com o Tesouro, os profissionais eram inseridos em vagas legítimas com nomes fictícios, fotos alteradas e até vídeos falsos gerados por inteligência artificial durante entrevistas. A maior parte do dinheiro obtido com esses contratos retornava ao regime norte-coreano, que o governo americano afirma usar para financiar seu programa de armas de destruição em massa e mísseis balísticos. Em alguns casos, esses trabalhadores também teriam conseguido acessar redes corporativas e instalar malwares, programas maliciosos usados para espionar ou causar danos.
Criptomoedas no centro da operação
As medidas do Tesouro miram principalmente quem movimentava o dinheiro. Entre os nomes citados estão os russos Vitold Obertas e Ilya Boykov, acusados de intermediar conversões e transferências ligadas a autoridades norte-coreanas e a uma empresa de trabalhadores de tecnologia da informação já sancionada em 2024. O órgão também citou dois norte-coreanos, Kim Ki Hyok e Kim Hyo Dong, além de uma entidade controlada pela Coreia do Norte que atua na Rússia.
O governo americano informou ainda que publicou endereços de carteiras nas redes Ethereum e Tron associados aos sancionados, para que corretoras e outras empresas monitorem possíveis movimentações. Um dos endereços de Ethereum aparece ligado a mais de um dos investigados. O Tesouro disse que essa ação ocorre após outra designação feita em março contra uma rede separada de trabalhadores de TI norte-coreanos, que teria lavado cerca de US$ 800 milhões em criptomoedas para o regime.
Com as sanções, qualquer bem ou interesse em propriedade desses indivíduos ou entidades sob jurisdição americana fica bloqueado, e transações com eles passam a ser proibidas, salvo autorização específica. O Tesouro também alertou que penalidades civis podem ser aplicadas mesmo quando a violação não foi intencional. Para empresas que contratam prestadores remotos, o governo indicou revisar identidades, rotas de pagamento e pedidos de acesso incomuns como forma de reduzir o risco desse tipo de fraude.
Conteúdo informativo. Não é recomendação de investimento.
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